Miomas uterinos: quando o tratamento abre espaço para novas histórias florescerem

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Sangramentos intensos, cólicas fortes e aumento do volume abdominal que interferem na rotina não devem ser ignorados. Durante a campanha Histórias que Florescem, pacientes do Hospital dos Acidentados e do CEDIM compartilham suas experiências com miomas uterinos e as possibilidades de tratamento que conheceram ao longo de suas trajetórias.

“Não tinha uma vida normal.”

A frase resume uma realidade vivida por mulheres que convivem com miomas uterinos e enfrentam sintomas capazes de comprometer o trabalho, os relacionamentos, a autoestima e atividades simples do cotidiano.

Para algumas mulheres, o problema começa com cólicas intensas. Para outras, são os sangramentos menstruais excessivos, a sensação de peso na região pélvica ou a descoberta de um nódulo durante um exame de rotina que levam à investigação.

Na campanha Outubro Rosa | Histórias que Florescem, o Hospital dos Acidentados e o Centro de Diagnóstico por Imagem de Cacoal (CEDIM) dão espaço a relatos de mulheres que passaram por esse processo e conheceram diferentes possibilidades de tratamento.

São experiências que ajudam a ampliar a conversa sobre saúde feminina e mostram a importância de buscar avaliação médica quando os sintomas começam a limitar a qualidade de vida.

O que são miomas uterinos?

Os miomas são tumores benignos que se desenvolvem a partir das células musculares do útero. São relativamente comuns e podem apresentar quantidade, localização e tamanho diferentes.

De acordo com a região em que se desenvolvem, podem ser classificados em três tipos principais:

  • Mioma submucoso: localizado próximo ao revestimento interno do útero, podendo se projetar para dentro da cavidade uterina.
  • Mioma intramural: localizado na parede muscular do útero.
  • Mioma subseroso: localizado na parte externa do útero, podendo crescer em direção à cavidade abdominal.

Essa localização é importante para compreender os possíveis sintomas e avaliar qual tratamento pode ser mais adequado.

Nem toda mulher com mioma apresenta sintomas. Em muitos casos, a condição é descoberta durante exames ginecológicos de rotina. Em outras situações, porém, as manifestações podem interferir significativamente na vida cotidiana.

Quando os sintomas começam a interferir na rotina

O sangramento uterino excessivo é uma das manifestações que podem estar associadas aos miomas. A menstruação pode durar mais dias, apresentar fluxo intenso ou acontecer em intervalos diferentes do habitual.

Durante os depoimentos da campanha, uma das pacientes conta que chegou a menstruar três vezes no mesmo mês e precisava trocar o absorvente em intervalos muito curtos. Outras relatam cólicas fortes, dores, desconforto e dificuldade para manter uma rotina normal.

Além do sangramento, os miomas podem provocar:

  • Dor ou sensação de pressão na região pélvica;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Necessidade de urinar com maior frequência;
  • Desconforto ou dificuldade para evacuar;
  • Anemia decorrente da perda excessiva de sangue.

A intensidade dos sintomas varia de mulher para mulher. Quando o sangramento é intenso ou prolongado, pode haver perda importante de ferro e desenvolvimento de anemia, exigindo avaliação e tratamento.

Sentir que a menstruação está limitando a rotina não deve ser encarado como algo que a mulher precisa simplesmente suportar. Alterações persistentes no ciclo, dores importantes ou sangramentos excessivos merecem investigação ginecológica.

O diagnóstico é o primeiro passo para encontrar o tratamento

Não existe uma única abordagem indicada para todas as mulheres com miomas.

A avaliação considera diferentes aspectos, como a quantidade, localização e tamanho dos nódulos, intensidade dos sintomas, condições clínicas e planos relacionados à maternidade.

O acompanhamento pode envolver consulta ginecológica e exames de imagem, como ultrassonografia e, quando indicada, ressonância magnética. Esses recursos ajudam a compreender as características dos miomas e a planejar a conduta.

Durante os atendimentos apresentados na campanha, as pacientes passaram por avaliação com ginecologistas e radiologista intervencionista. A partir das características de cada caso, foram discutidas possibilidades como ablação por radiofrequência e embolização de miomas.

O processo também envolve escuta e acolhimento. Conhecer os sintomas, compreender os receios e conversar sobre as expectativas da paciente são etapas importantes para que ela participe das decisões sobre o próprio cuidado.

Embolização de miomas: como funciona esse procedimento?

A embolização das artérias uterinas é um procedimento minimamente invasivo utilizado no tratamento de miomas sintomáticos em pacientes selecionadas.

Os miomas dependem do fluxo sanguíneo para se desenvolver. Na embolização, o médico introduz um pequeno cateter em uma artéria, geralmente na região da virilha ou, em alguns casos, do punho, e o conduz até os vasos que levam sangue ao útero.

Com auxílio de imagens, são administradas pequenas partículas que bloqueiam o fluxo sanguíneo direcionado aos miomas. Com a redução desse suprimento, os nódulos tendem a diminuir de tamanho ao longo das semanas e dos meses, podendo contribuir para a melhora dos sintomas.

Por ser uma abordagem minimamente invasiva, a embolização não exige a realização de uma incisão abdominal ampla para acessar diretamente os miomas. Ainda assim, é um procedimento médico que requer avaliação prévia, planejamento e acompanhamento após o tratamento.

A indicação depende das características de cada caso. A embolização não é necessariamente a melhor opção para todas as mulheres, e os benefícios, riscos e possíveis impactos sobre uma futura gestação devem ser discutidos individualmente com a equipe médica.

Ablação por radiofrequência: outra possibilidade de tratamento

Outra alternativa apresentada durante a campanha é a ablação por radiofrequência.

Nesse procedimento, uma agulha específica é conduzida até o mioma com orientação por imagem. A energia de radiofrequência produz calor no mioma, provocando a destruição controlada da área selecionada. Com o passar do tempo, o organismo pode reabsorver o mioma e melhorar os sintomas.

A técnica pode ser realizada por diferentes vias, dependendo do método utilizado e das características da paciente. No procedimento descrito pela equipe no vídeo, a agulha é conduzida com orientação de ultrassonografia transvaginal até o mioma.

A ablação também possui critérios de indicação. O tamanho, a quantidade e a localização dos nódulos influenciam a avaliação, e nem todas as mulheres são candidatas ao procedimento.

A escolha entre ablação, embolização, medicamentos, cirurgia ou acompanhamento depende de uma avaliação individualizada. O objetivo é identificar a alternativa mais adequada às necessidades e aos planos de cada paciente.

Fertilidade e maternidade: uma conversa que precisa fazer parte da decisão

Para mulheres que desejam engravidar, a escolha do tratamento merece atenção especial.

A presença de miomas não significa necessariamente infertilidade, mas algumas características dos nódulos podem interferir na fertilidade ou na gestação. Da mesma forma, os diferentes tratamentos apresentam indicações, benefícios e limitações que precisam ser discutidos antes da decisão.

Por isso, é importante que a vontade de ter filhos, agora ou no futuro, seja compartilhada com os profissionais envolvidos no atendimento. Nem todos os procedimentos têm os mesmos efeitos sobre a fertilidade, e os resultados reprodutivos podem variar.

Entre os relatos compartilhados em Histórias que Florescem, uma paciente conta que, no momento da gravação, estava com 37 semanas de gestação. Para ela, a gravidez representa um capítulo especialmente significativo de sua história.

Esse depoimento revela a importância de conhecer as possibilidades disponíveis, mas cada caso possui particularidades. A experiência de uma mulher não permite prever o resultado de outra, e nenhum tratamento deve ser apresentado como garantia de uma futura gravidez.

O mais importante é que cada paciente tenha acesso a informações claras e a uma avaliação que considere sua saúde, seus sintomas e seus projetos de vida.

Cuidado integrado e acompanhamento individualizado

O tratamento dos miomas pode exigir a participação de diferentes profissionais e o uso de recursos diagnósticos e hospitalares.

Na parceria entre o Hospital dos Acidentados e o CEDIM, o atendimento envolve avaliação por especialistas, exames de imagem e discussão das possibilidades terapêuticas. Quando um procedimento é indicado, a equipe organiza o cuidado de acordo com as necessidades clínicas de cada paciente.

A radiologia intervencionista amplia as possibilidades de abordagem de determinadas condições por meio de procedimentos guiados por imagem. Associada à avaliação ginecológica e ao suporte da estrutura hospitalar, contribui para que as opções sejam analisadas de forma individualizada.

Mais do que definir uma técnica, o processo consiste em compreender a mulher que está diante da equipe: o que ela sente, como os sintomas interferem em sua vida e quais são suas expectativas em relação ao tratamento.

Histórias que florescem: compartilhar experiências também é cuidar

Cada mulher que participa da campanha traz uma vivência particular. Algumas passaram anos convivendo com sangramentos e dores. Outras enfrentaram dúvidas, medo de procedimentos ou preocupações relacionadas à possibilidade de ter filhos.

Nos depoimentos, aparecem também o alívio ao conhecer alternativas, a retomada da confiança e a vontade de compartilhar a própria experiência com outras mulheres.

Uma das participantes conta que sua vida mudou depois do tratamento e que hoje se sente mais confiante. Outra fala sobre a felicidade de estar grávida. São relatos pessoais que mostram o quanto a saúde pode influenciar diferentes dimensões da vida feminina.

O nome Histórias que Florescem representa justamente esse olhar: cada mulher tem seu próprio tempo, seus desafios e suas possibilidades. Dar espaço a essas histórias é uma forma de acolher experiências que muitas vezes permanecem em silêncio e incentivar outras mulheres a procurarem informação e orientação.

Embora o Outubro Rosa seja especialmente dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, o cuidado com a saúde feminina também envolve atenção a outras condições, como os miomas uterinos. São problemas diferentes, que exigem avaliações e abordagens próprias.

O ponto em comum é a importância de não adiar o cuidado diante de sintomas que afetam a saúde e a qualidade de vida.

Se você apresenta sangramentos menstruais excessivos, cólicas intensas ou outros sintomas persistentes, procure avaliação ginecológica. Conhecer a causa é o primeiro passo para compreender as opções de cuidado disponíveis.

Cada história tem suas particularidades. Com informação, escuta e acompanhamento adequado, novas possibilidades podem surgir.

Hospital dos Acidentados e CEDIM. Histórias que florescem.

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